7 Arqueologia Funerária - Luzia primeira mulher do Brasil

Blog | 317 | 08/09/2020

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Como explico no vídeo de hoje, o esqueleto do ser humano mais antigo encontrado até agora no Brasil foi de uma mulher, que recebeu o nome de Luzia. Com bem mais de 11 mil anos, seus ossos foram encontrados em Lagoa Santa, Minas Gerais, a apenas 2 km de distância do aeroporto Internacional de Belo Horizonte!

Walter Neves, arqueólogo USP, apesar de não ter participado da escavação que descobriu o esqueleto de Lapa Vermelha 4, acabou ficando conhecido como o “pai” de Luzia, pois foi ele quem sugeriu o nome que deixou a moça famosa – o apelido foi inspirado em Lucy, fóssil de 3,5 milhões de anos encontrado na Etiópia, em 1974 que está nesta foto.

Assista ao vídeo pois explico bem como foi a descoberta arqueológica no Brasil e depois me fala o que achou!

#arqueologia

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Hoje o vídeo postado no meu IGTV é sobre Arqueologia Funerária e neste mapa da Amazônia podemos ver onde foram encontradas práticas funerárias há muitos anos.

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Sobre o vídeo que postei hoje de Arqueologia Funerária, um grande número de comunidades amazônicas estão assentadas sobre sítios arqueológicos e muitas “boca de urnas” afloram de norte a sul da região. Já o material ósseo se degrada frequentemente e são necessárias análises finas, feitas por especialistas, com pesquisas microscópicas de resquícios. Já os contextos funerários são construções culturais e dependem do contexto histórico de cada sociedade.

Para entender os vivos (e os que já morreram) é necessário entender como cada sociedade lida com os seus mortos, ou seja, entendendo as escolhas dos gestos e locais. Como a pratica funerária indígena foi deturpada, a imagem passada foi usada para justificar o extermínio ou a dominação de populações.

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O vídeo de hoje trata mais a fundo a descoberta de Luzia, a primeira brasileira pré-histórica de que se tem notícia. Descoberta nos anos de 1970, ela entrou para as páginas de jornais e livros, com sua imagem passando a ser reconhecida em todos os cantos do país. A aparência, claro, é apenas uma possibilidade, mas baseada em fatos e provavelmente ainda irá ser alterada confirme as pesquisas avancem.

#arqueologia

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Neste vídeo explico um pouco sobre os contextos da arqueologia funerária da Amazônia

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No vídeo de hoje do meu IGTV conto um pouco sobre a Luzia, ser humano mais antigo encontrado no Brasil, e como falamos sobre uma mulher, resolvi falar no vídeo também sobre a antiga e mítica civilização das mulheres guerreiras da Amazônia. Realidade ou mito?

Fato é que o nome Amazon - mulheres sem seio - vem da mitologia grega e veio então importado para cá até meados do século XVI, a partir dos relatos do que desbravadores europeus viam durante suas excursões na região da floresta Amazônica.

É interessante perceber a ruptura existente entre o mito das amazonas no imaginário do século XVI e sua sobrevivência nos anos de mil e setecentos. Antes, essa formulação mítica encontrava-se mesclada a outros relatos, como as cidades imaginárias do Eldorado, Manoa, o lago Parimá e indígenas acéfalos como os Ewaipanomas. Depois, tornou-se para alguns o conceito de um estado excepcional de sociedade.

Durante o período do Brasil Imperial, teve uma comissão que examinou os textos sul-americanos do naturalista alemão Alexander von Humboldt, que visitou o Brasil no fim século XVIII / começo século XIX, e os textos antigos de Orellana (que esteve no Brasil em 1540) e enfatizavam a veracidade desta lenda das Amazonas... mas eu acho lenda. E você?

#arqueologia

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No vídeo de hoje do IGTV eu falo sobre o ser humano mais antigo já encontrado no Brasil: uma mulher, que chamamos de Luzia. Com mais de dez mil anos, seu crânio foi achado na década de 1970 em Lagoa Santa, MG.

Por ser o mais antigo, seu crânio continua sendo assunto de pesquisas sobre origem e migração dos povos nas Américas. Suas feições sugerem uma possível origem africana, mas na próxima semana explicarei em outro vídeo que os novos estudos não apontam mais para isso... ela teria origem de povos vindos da América do Norte.

O crânio da Luzia ficava exposto no Museu Nacional no Rio de Janeiro - aquele que pegou fogo - e felizmente foi encontrado nos escombros e restauraram mais de 80%. Ainda bem!

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No vídeo de hoje do IGTV explico sobre Luzia, encontrada no sítio arqueológico na região de Lagoa Santa, MG.

André Prous, arqueólogo da UFMG, explica que quando se pede para que um especialista reconstitua o rosto de uma pessoa a partir de um esqueleto, o especialista pergunta se aquela pessoa está mais ligada a populações asiáticas, europeias ou africanas. Com isso, vai imaginar a musculatura, a espessura dos lábios, a forma do olho. E aí se trata de uma interpretação, de uma hipótese. Muitos acham que uma vez que se propõe uma reconstituição baseada numa hipótese, mesmo uma hipótese razoável, baseada nas características dos ossos, não é necessariamente uma realidade. É uma possibilidade, dentro das possíveis a partir dos dados daquele esqueleto.

Na última década, as escavações na região de Lagoa Santa foram assumidas por André Strauss, arqueólogo do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP. Ele foi aluno de Walter Neves e deu início a pesquisas pioneiras no Brasil, com análise de DNA antigo. Embora o DNA de Luzia nunca tenha sido extraído, a equipe de Strauss analisou o material de 12 indivíduos da mesma localidade e uma nova surpresa, que contarei nos próximos vídeos.

#arqueologia

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Aqui conto sobre a Luzia, ser humano mais antigo encontrado no Brasil e sobre o mito das Amazonas.

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Erika Schemann

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