Dia do Capoeirista

Blog | 153 | 03/08/2020

Capoeira - parte 1

Como hoje é o dia do capoeirista, seguem informações sobre esta nossa cultura.

A capoeira é ao mesmo tempo uma luta e uma arte. Para jogar capoeira precisa-se de um ritmo, ditado pelo atabaque, pelo berimbau e pelo agogô, numa música bem característica. Dois parceiros, de acordo com o toque do berimbau, executam movimentos de ataque, defesa e esquiva. Eles simulam uma luta. Para jogar capoeira é preciso habilidade e força, além de integração e respeito entre os parceiros.

O gingado é a base da capoeira, pois a partir dele surgem os outros movimentos de ataque ou contra-ataque. Os jogadores nunca estão parados e há música o tempo todo e isso torna a capoeira muito bonita de se ver.

Há muitas formas de jogar capoeira, e a mais tradicional preserva as raízes africanas, como a capoeira angola na Bahia. Com o passar dos anos, capoeira foi ficando do jeito que ela é hoje, gingada.

A roda de Capoeira foi registrada como bem cultural pelo IPHAN em 2008 e em 2014 recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO.

#capoeira

Capoeira - parte 2

Sua origem no Brasil vem dos tempos da escravidão. Os africanos escravizados trazidos para cá eram submetidos a muita violência e maus tratos e passaram a praticar as artes de luta de suas pátrias de origem como forma de expressar a sua revolta e esperança de fuga e eventual liberdade. As lutas geralmente ocorriam nos terrenos de mata mais rala, conhecidos como “capoeiras”. Este termo vem do tupi e significa “mata que foi”, referindo-se aos trechos da mata que eram queimados ou cortados para abrir terreno para as plantações.

Para não despertar suspeitas, os escravos adaptaram os movimentos da luta aos cantos da África, fazendo tudo parecer uma dança. A capoeira era mais do que uma forma de combate; era uma ferramenta para que o foragido - totalmente desarmado - pudesse sobreviver ao ambiente hostil e fugir da caça dos capitães do mato.

Para os foragidos, mesmo se de etnias diferentes, a vida nos quilombos oferecia a oportunidade de resgatar suas culturas perdidas pela opressão colonial. A capoeira então passou a ser não apenas uma ferramenta para a sobrevivência individual, mas também coletiva e com escopo militar.

Em 1888 ocorre a abolição da escravatura. Livres, os negros viram-se abandonados à própria sorte e diversos capoeiristas inevitavelmente começaram a utilizar as suas habilidades de formas pouco convencionais: tornaram-se mercenários, guardas de corpo, capangas e assassinos de aluguel...

Nesta época havia um grupo de capoeiristas conhecidos como “maltas” que aterrorizaram o Rio de Janeiro. Em 1890 a República Brasileira proibiu por decreto a capoeira em todo o território nacional, justamente por causa da situação caótica em que se encontrava a capital e também porque o capoeirista tinha uma notável vantagem no confronto corporal com policiais.

A marginalização da capoeira continuou até por volta dos anos de 1930.

#capoeira

Capoeira - parte 3

Durante muito tempo a capoeira foi proibida no Brasil e permaneceu marginalizada, como expliquei no post anterior.

Na década de 1930, porém, a capoeira já tinha adquirido um novo status em nossa sociedade. O próprio presidente Getúlio Vargas convidou um grupo de capoeira para se apresentar oficialmente no Palácio do Catete. A capoeira foi liberada e alguns anos depois, professores de capoeira da Bahia se tornaram famosos, como os mestres Bimba, Pastinha e Gato, imortalizados nos romances de Jorge Amado.

Em 1932, o Mestre Bimba, exímio lutador no ringue e em lutas ilegais de luta, fundou em Salvador a primeira academia de capoeira da história. Ele desenvolveu os primeiros métodos de treinamento sistemático para a capoeira. Como a palavra “capoeira” ainda era proibida pelo Código Penal, o Mestre Bimba chamou seu novo estilo de “Luta Regional Baiana”.

Acontece que a notoriedade da capoeira do Mestre Bimba tornou-se um incômodo aos capoeiristas tradicionais, pois estes continuavam a ser malvistos... a desigualdade começou a mudar a partir de 1941, quando foi inaugurado no Pelourinho (Salvador) o Centro Esportivo de Capoeira Angola, pelo Mestre Pastinha. O centro atraía muitos capoeiristas que preferiam manter a capoeira em sua forma mais original possível e o termo “Capoeira Angola” passou a ser o nome do estilo tradicional de capoeira.

E você, prefere a Capoeira Regional ou Angola?

#capoeira

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Erika Schemann

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